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Dezembro/2011


Prateleira

Trava-língua dos pelados

História estimula o ritmo da fala com jogos de palavras e armadilhas de pronúncia

Ana Lasevicius

Paulo Netho sabia bem o que estava fazendo quando propôs a brincadeira de O Pinto Pelado no reino dos Trava-Línguas (Formato Editorial, 2006, 21 p.). O autor é um destravador de línguas que costuma desenrolar histórias cheias de armadilhas de pronúncias, em público, Brasil afora, sem dar um tropeço.

Neste livro, Netho amarrou trava-línguas de sua autoria com os de Cego Aderaldo, Chico dos Bonecos e outros tradicionais. Criou uma aventura engraçada, em que o frango amalucado, Domingos Pinto Pelado, personagem do folclore, foge de seu trágico destino numa viagem pelo mundo dos trava-línguas, provocando alguns diálogos sem pé nem cabeça. Nonsense total, destes que fazem as crianças rolarem de rir.

O livro estimula o ritmo da fala. O desafio é ler e reler, em voz alta, rindo dos próprios erros, até acertar.

As ilustrações ficaram a cargo do experiente Claudio Martins, que também se viu em meio a um novo desafio. Este foi seu primeiro livro totalmente ilustrado no computador. Desafio cumprido, Claudio fez um bom uso da tecnologia, desenhando imagens com preenchimentos de estampas padronizadas, texturas e colagens de gravuras antigas e rendas. Totalmente adequado à proposta divertida do livro.

Palavra de autor
Como a criança encontra sua voz no mundo
Qual a importância dos trava-línguas na formação linguística da criança?
Penso que falar um trava-língua, como recitar uma poesia ou soprar uma parlenda, cria na criança o gosto pela palavra falada, a qual vai se tornar amada. Além de desenvolver a oralidade, os trava-línguas permitem às crianças experimentarem o direito de poder dizer, com todas as letras, as suas próprias palavras, os seus próprios pensamentos. Por meio do sopro de poesia e trava-línguas, as crianças acabam por encontrar a sua voz e sua vez no mundo. Pelo menos, comigo foi assim.

O que mais diverte as crianças nos trava-línguas? E os adultos?
Os saborosos tropeços na hora de pronunciar os trava-línguas. As crianças espontaneamente se jogam sem medo nesse jogo leve de palavras, enquanto os adultos, reticentes, procuram ser racionais, mas não por muito tempo, e acabam rendendo-se também à brincadeira.



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