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Dezembro/2011


Berço da palavra

Ver o circo pegar fogo

Ou como Nero continua influenciando o imaginário popular

Márcio Cotrim*

No ano 64 de nossa era, um terrível incêndio destrói parte de Roma. Milhares de pessoas, aterrorizadas e com o corpo em chamas, atiram-se às águas do rio Tibre e acabam morrendo afogadas. O episódio é magistralmente reconstituído no filme Quo Vadis .

Da sacada de seu palácio imperial, Nero aparece extasiado com a cena dantesca. Insano, toma sua lira e improvisa uma canção diante de atônitos auxiliares, dentre os quais o arquiteto Phaon, autor do projeto de uma nova Roma, "livre da gentalha e de tanta imundície".

Em meio ao tumulto, corre o boato de que fora o próprio Nero o mandante do incêndio. Nessa altura, a turba ululante parte para fazer justiça com as próprias mãos.

Em pânico, Nero cinicamente se declara "pronto para punir exemplarmente os culpados".

É quando uma sádica imperatriz Popeia traz a sugestão de inimaginável monstruosidade: atribuir a culpa da tragédia aos cristãos, ideia que logo se transforma na versão oficial e os atira às garras de leões famintos no Coliseu.

Além desse pavoroso episódio histórico, a expressão "ver o circo pegar fogo" traz também a lembrança da expressão "alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo".

A ninguém, evidentemente, teria ocorrido a expressão inteira, pois ela sempre é proferida em sentido totalmente oposto.

No caso, pegar fogo quer dizer que "a festa pegou fogo", que "todo mundo se esbaldou", e não passa pela cabeça de ninguém a mais mínima fagulha.

Bayeux - Esse é o nome estrangeiro - pronuncia-se Baiê - de uma daquelas cidades brasileiras de nomes curiosos. Bayeux, com só 32 km2 e 85 mil habitantes, é o quinto município da Paraíba. Nele se localiza o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, o principal do estado. Em 1944, o mundo vivia o horror da 2a Guerra. Em 6 de junho, os aliados desencadearam a maior operação militar da História, o Dia D . Milhões de soldados atacaram a Normandia, território europeu ocupado pelos nazistas. No avanço, Bayeux - na região da Baixa Normandia - foi a primeira cidade francesa a livrar-se de Hitler. Dá seu nome à famosa tapeçaria de Bayeux, que retrata a conquista da Inglaterra pelos normandos. A Bayeux paraibana se chamava Barreiros, mas Assis Chateaubriand, animado com a possibilidade de paz que já antevia, sugeriu a Rui Carneiro, então Interventor Federal no Estado, a alteração do nome da cidade. Oficializada a mudança, a principal artéria urbana da agora Bayeux passou a chamar-se Avenida Liberdade, além de uma praça ter sido rebatizada de Seis de Junho, data da invasão aliada.

* Autor, dentre outras obras, dos livros O Pulo do Gato I e II (Geração Editorial).
www.marciocotrim.com.br


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