A lógica do tradutor automático
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| Mecanismos de tradução virtuais podem gerar aberrações sem a intervenção humana no texto |
Gabriel Perissé
 | | Uma boa tradução requer a capacidade humana de identificar aspectos fonéticos, sintáticos e semânticos - algo de que a inteligência artificial jamais será capaz |
É melhor não confiar de olhos fechados (e muito menos com os olhos abertos!) nas ferramentas de tradução, várias delas on-line. São insuficientes e imprecisas, embora, no século passado, entre as décadas de 50 e 60, se tenha difundido a ideia de que o computador viria a traduzir de forma satisfatória os mais diversos textos, ilusão descartada trinta anos depois, e substituída, hoje, por um objetivo modesto e factível: criar aplicativos que auxiliem num momento inicial, sempre à espera da intervenção e da criatividade humanas. Uma boa tradução requer a capacidade exclusivamente humana de identificar aspectos e nuances fonéticos, sintáticos e semânticos que a mais sofisticada "inteligência" artificial jamais identificará, pelo simples fato de que tal inteligência não é inteligente, não é lógica - lógica no sentido do termo grego lógos, envolvendo linguagem, razão, explicação e capacidade de argumentação. É instrutivo, ou ao menos divertido, verificar a performance ilógica desses limitados recursos computacionais, comparando-os ao inspirado, belo e sofrido trabalho humano, cuja lógica ultrapassa em muito o maquinal. Vejamos dois exemplos, um em inglês e outro em francês. Mario Quintana traduziu The Power and the Glory (O Poder e a Glória, pela Editora Globo, em 1953), um dos livros mais famosos de Graham Greene (1904-1991), que no início do capítulo 3 apresenta-nos o capitão Fellows. O texto do original e as duas versões - a versão automática foi realizada por uma ferramenta on-line disponível no site da empresa Jurotrans - dão margem a alguns comentários: Uma boa tradução requer a capacidade humana de identificar aspectos e nuances fonéticos, sintáticos e semânticos - algo de que a inteligência artificial jamais será capaz O tradutor automático pode nos servir de ajuda, mas é incapaz de pensar-sentir, entender-intuir, interpretar-criar. A lógica humana integra elementos aparentemente contraditórios e ilógicos... mas ilógica, afinal, é a lógica que não se transcende, e, parafraseando Pascal, não ri da própria lógica. Exige-se do tradutor razão e coração para, como neste segundo exemplo, trabalhar com Mon Coeur Mis à Nu (Meu Coração Desnudado), de Charles Baudelaire (1821-1867). Escolho um trecho desta obra, traduzida pelo professor Tomaz Tadeu (Autêntica Editora, 2009), utilizando para cotejo o resultado obtido com o software de tradução Babylon 8: Gabriel Perissé é professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Uninove www.perisse.com.br
O original... | Graham Greene
Captain Fellows sang loudly to himself, while the little motor chugged in the bows of the canoe. His big sunburned face was like the map of a mountain region - patches of varying brown with two small blue lakes that were his eyes. He composed his songs as he went, and his voice was quite tuneless. "Going home, going home, the food will be good for me-e-e. I don't like the food in the bloody citee."tam dinheiro a pessoas que dificilmente poderão pagar a dívida. | | As versões | Mario Quintana
1 O Capitão Fellows cantava alto para si mesmo, enquanto o pequeno 2 motor ronronava na 3 proa do bote. O grande 4 rosto tisnado lembrava o mapa de uma região montanhosa, com as suas manchas de vários tons de castanho e os dois pequenos lagos azuis que eram os olhos. Cantava com uma voz terrivelmente desafinada umas canções que ia improvisando: "Vou pra casa, vou pra casa, tudo o que eu comer vai ser bem bom, bem bom, bem bom. Adeus, maldito grude desta maldita 5 cidaaaaade!". | Tradutor automático
Capitão Fellows 1 cantaram bem alto para si mesmo, enquanto que o pequeno motor 2 chugged nos arcos 3 da canoa. Sua grande 4 sunburned rosto era como o mapa de uma região de montanha - variando marrom com manchas de dois pequenos lagos azuis que eram seus olhos. Ele compõe suas canções como ele foi, e sua voz era muito desafinado. "Indo para casa, indo para casa, o alimento vai ser bom para mim-ee. Não gosto da comida na sangrenta 5 citee." | Comentários
1 O "s" confundiu o tradutor automático, e o fez "pensar" que Fellows era mais de uma pessoa a cantar.
2 A máquina não ouviu o som de outra máquina, e por isso não traduziu o verbo to chug. O motor do barco, para Quintana, ronronava como um gato. 3 Se o tradutor automático estivesse a par da terminologia náutica, compreenderia que bows, neste contexto, refere-se à parte dianteira de uma embarcação. 4 Como poderia a máquina saber que a pele clara, demasiadamente exposta ao sol, adquire tonalidade escura? Já o tradutor humano vê o rosto tisnado, tostado, do personagem. 5 O personagem, tomado pela alegria, está inventando uma canção. Quintana estende a letra "a" de "cidade" para captar o citee do original, que rima com o me-e-e. A máquina não desafina nem acerta. Simplesmente reproduz "m-ee" e "citee", ilogicamente... |
O original... | Charles Baudelaire
À chaque minute nous sommes écrasés par l'idée et la sensation du temps. Et il n'y a que deux moyens pour échapper à ce cauchemar, pour l'oublier: le plaisir et le travail. Le plaisir nous use. Le travail nous fortifie. Choisissons. Plus nous nous servons d'un de ces moyens, plus l'autre nous inspire de répugnance. On ne peut oublier le temps qu'en s'en servant. Tout ne se fait que peu à peu. | | As Versões | Tomaz Tadeu
Somos, a cada momento, atropelados pela ideia e pela sensação do tempo. 1 E só há dois meios de escapar desse pesadelo, de esquecê-lo: o prazer e o trabalho. 2 O prazer nos consome. O trabalho nos fortifica. 4 Escolhamos. Quanto mais nos servimos de um desses meios, mais o outro nos inspira repugnância. Só podemos esquecer o tempo se o utilizamos. Nada se faz senão pouco 5 a pouco. | Tradutor automático
Todos os minutos 1nós tempo de rolos compressores pela ideia e a sensação. E há só duas possibilidades da evasão este pesadelo para esquecido: a alegria e o 2trabalho. Felizmente 3nós usamos. O trabalho nós fortalecemos. 4Escolha. O mais que nós servimos estes meios, que outros nos despertam, de relutância. A pessoa não é permitido cronometrar esquecido, isto serve. Só acontece lentamente todo o 5mundo. | Comentários 1 O tradutor automático trouxe a palavra "tempo" para o início da frase, sem nenhuma razão aparente, talvez tentando escapar aos "rolos compressores" que surgiram do nada! 2 A máquina desconhece o prazer e perdeu o rumo da tradução, recorrendo à ideia de felicidade que também lhe é estranha, e estranha ao texto. 3 Distinções simples podem ser complexas demais para o tradutor automático. O pronome nous, nestes dois casos, atua como objeto e não como sujeito. 4 Sintomaticamente, o software parece ter compreendido que ele não é capaz de escolher. Exclui-se, portanto, da primeira pessoa do plural... e ordena que o leitor faça a escolha! 5 Escrever, traduzir, criar são processos trabalhosos, requerem persistência, paixão, estudo, idas e vindas. Os tradutores automáticos produzem com rapidez, mas, como nesta frase, falham no essencial - uma boa tradução, como tudo o que tem valor na vida, se faz pouco a pouco. |
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ARTHUR ARAÚJO TRADUTOR PORT/FRANCÊS E PROGRAMADOR - MACAPÁ-AP
Concordo quando a colega Solange Pinheiro diz que "o pessoal das exatas dificilmente vai compreender isso, justamente porque são das exatas e as línguas não são exatas. " mas acho que ela esquece que o pessoal "das línguas" também faz o mesmo, mas sob o ponto de vista oposto.
Isso parece uma discussão sobre religião, cada um defende seu ponto de vista e ignora com todas as forças os pontos de vista diferentes do seu...
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Para mim, como tradutor e programador, não restam dúvidas de que traduções automáticas não podem ser comparadas com as humanas em termos de qualidade, mas considero um grave erro afirmar que tradutores eletrônicos nunca poderão ser considerados ferramentas confiáveis! Existem, inclusive, sistemas de tradução que trabalham com textos de entrada "purificados", interlínguas, e que assim obtém resultados realmente satisfatórios.
Já a tradução de textos naturais é um assunto mais complicado, mas pegar um tradutor eletrônico ruim só para defender seu ponto de vista em um artigo também é apelação!
Por exemplo, essa é a tradução do texto de Baudelaire feita pelo Google: ------------------------ "A cada minuto somos esmagados pela idéia ea sensação de tempo. E só há duas maneiras de escapar desse pesadelo para esquecer: o prazer eo trabalho. Prazer nos consome. O Trabalho nos fortalece. Escolher. Além disso, podemos usar uma das Desta forma, quanto mais os outros inspira repugnância. Podemos esquecer o tempo na sua utilização. Tudo é feito de forma gradual." -------------------------
Sem dúvida está longe da perfeição, mas nos dá uma idéia mais real sobre o atual estado desses sistemas de tradução que o exemplo exposto no texto...
http://www.arthuraraujo.com.br
[ postado em 22.08.2009 ]
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MARTHA KARDOWELL GONÇALVES CONSULTORA DE LÍNGUA INGLESA - SÃO PAULO - SP
Sou norte-americana radicada no Brasil há mais de 10 anos, e sempre sou requisitada sobre traduções do Português para o Inglês. Como domino os dois idiomas, fica muito mais fácil entender o texto na minha língua nativa, e é óbvio que percebo imediatamente aqueles textos que o autor usou o recurso do tradutor automático, por mais que ele domine o Inglês e corrija as imperfeições, não é possível identificar a liberdade de escolha nas idéias claras, coesas e coerentes que só a mente humana é capaz de organizar, relacionar e o mais importante: inferir com raciocínio.
[ postado em 21.08.2009 ]
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MACHADO APOSENTADO - SALTO-SP
Costumo fazer traduções do Inglês para o Português de textos científicos e técnicos para médicos, dentistas, engenheiros e outros profissionais liberais em cursos de especialização. Recentemente, veio-me às mãos um texto bastante longo e, como o tempo era escasso, resolvi comprar um tradutor eletrônico para me auxiliar. Submeti uma parte do texto à tradução eletrônica como experiência e minha frustração foi enorme: o tempo que perdi para "corrigir" as imperfeições e traduzir as palavras cujo significado não constava no banco de dados foi maior do que se eu tivesse feito a tradução sem o auxílio do programa. Resultado: desinstalei o tradutor e fiz o restante da tradução manualmente, dentro do prazo acordado, com sacrifício de algumas horas de sono.
[ postado em 20.08.2009 ]
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DANIEL ZANDONADI TRADUTOR - RIO DE JANEIRO
Não há a menor dúvida que os tradutores automáticos são intrinsecamente falhos pois não conseguem prever todas as situações lingüísticas. A tradução humana, cuidadosa e criteriosa, já é problemática pelas próprias questões envolvidas nas equivalências entre uma língua e outra.
Contudo, é uma ferramenta de valia quando se necessita de uma informação geral sobre algum assunto. Quando se está viajando por um país de língua desconhecida, pode ser de grande importância - quantos de nós, por exemplo, saberia chegar a um restaurante seguindo instruções escritas em finlandês?
[ postado em 20.08.2009 ]
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DORIVAL SANTOS SCALIANTE TRADUTOR TÉCNICO - CAMPINAS SP
Agora que já colocamos vários detalhes e opiniões, várias nuances e enfoques dos pontos de vista das exatas e das humanas, gostaria de tocar em um outro ponto -- este sim causador de uma das minhas maiores inquietações. No século 20 e com ainda mais ênfase no século 21, investimentos vêm sendo feitos de maneira maciça no sentido de retirar a arte da mão do homem e colocá-la, primeiro, em mecanismos e, na modernidade, em chips. Se não, saibamos que os torneiros mecânicos artísticos do século 20 foram substituídos rapidamente por máquinas com programação CNC (comando numérico computadorizado) que podiam ser programadas por moleques de 16 anos. (E falo isso com conhecimento da causa: fui um desses moleques pois, aos 16 e 17 anos, trabalhei como programador de tornos CNC em uma fábrica.) Muitos profissionais com 30 anos de experiência em usinagem com máquinas avançadas foram substituídos rapidamente e sem terem tempo para reação por máquinas computadorizadas que apresentavam produtividade imensamente superior. Esses homens perderam suas funções, seu emprego e, até, sua cidadania. E os preços dos bens produzidos (agora, com muito maior produtividade) não baixaram, o que contrariou a solene promessa do capitalismo com bens ao alcance de todos. A tendência prosseguiu e, atualmente, outros artistas dos ofícios estão sendo substituídos, como os experientes programadores de computador e os tradutores humanos competentes, por computadores e programas. O ponto é: Será que o mundo comportará a substituição incessante de cidadãos por máquinas? O que farão da vida e para viver os cidadãos substituídos? É realmente muito necessário ou imprescindível avançar e progredir tão rapidamente a ponto de gerar, cada vez mais e mais rapidamente desemprego e baixíssimos rendimentos, em detrimento ao oferecimento de melhores condições de trabalho e mais satisfação com o trabalho executado a um ritmo natural e sem pressão de velocidade? É realmente obrigatório traduzir-se um jornal inteiro em uma hora? Não daria para vivermos como viveram nossos antepassados (tradutores, programadores de computador ou todos os demais profissionais), ao ritmo natural das coisas naturais? Em outros tempos, textos dos então folhetins de Alexandre Dumas (nada menos que "O conde de Monte Cristo") levavam semanas para sequer chegar ao outro continente via navio, para só então começarem a ser traduzidos. Nem por isso a obra de Dumas deixou de atingir, influenciar, inspirar e comover as almas de todo o mundo. Para ficar nos exemplos dos tradutores, nossos colegas de profissão da década de 1940 ou 1950 levavam dedicados e bem saboreados meses traduzindo belas obras literárias, em busca das palavras corretas e dos sentidos adequados a cada passagem. Pressa havia. Não havia era pressão. Atualmente, qualquer notícia inútil do tipo "mulher encontra no mar aliança que havia perdido 16 meses antes" precisa (será que precisa, mesmo???) ser publicada instantaneamente. É necessária tanta informação que, evidentemente, não tem uso? "O sol nas bancas de revista / ... quem lê tanta notícia?", já dizia o poeta Caetano bem lá atrás... Pensemos...
[ postado em 20.08.2009 ]
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LEONARDO ANALISTA DE SISTEMAS - RJ
Hoje em dia, os tradutores virtuais apenas "quebram um galho". Sistematicamente falando são de alta complexidade e não substitui a intervenção humana. Existem questões muito complexas (que os amigos letrados podem explicar muito bem quais são) que tornam a língua complexa e esses casos não são sempre simples de identificar do ponto de vista computacional.
Eu continuo usando os tradutores Web, para minha necessidade, eles "quebram o galho".
Att.
[ postado em 20.08.2009 ]
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CAROLINA TRADUTORA - SÃO PAULO-SP
Percebi que as mensagens se transformaram em uma disputa entre o pessoal de exatas e humanas. Embora todos os argumentos sejam válidos, estão um pouco fora de contexto. Eu trabalhei anos como tradutora em uma empresa de tecnologia, onde trabalhavam centenas de analistas de sistemas, engenheiros de computação etc. A maioria deles usava bastante tradutores automáticos no dia a dia pois tinham que trabalhar com muitos documentos e textos em inglês, e a maioria tinha apenas conhecimentos rudimentares dessa língua. Nesse caso o tradutor automático era um salva vidas. Mas em outros casos como produção de relatórios de acompanhamento de processos para outros países, propostas comerciais e mesmo comunicação interna por email, pelo menos por enquanto, não dá para usar o tradutor automático, por melhor que ele seja. Isso acontece tanto devido aos limites da máquina quanto aos limites humanos de produzir um texto claro e coerente. Não é incomum ter que "decifrar" um texto em português para depois passá-lo para o inglês. E claro que se uma pessoa tem bons conhecimentos da língua pode usar o recurso automático e depois arrumar o texto, mas esse uso é perigoso para alguém que não entende bem o que está escrito e está envolvido em uma comunicação importante. Enfim, esses são exemplos práticos que vivenciei. A tecnologia está sempre evoluindo e nunca devemos dizer nunca, mas essa é a situação atual. Para terminar, o caso mais extremo que vivi com tradução automática foi fora da empresa, na exibição de um filme indiano cujas legendas em inglês foram traduzidas para o português automaticamente. Até hoje não sei se os indianos entenderam porque as pessoas riam tanto nas cenas mais tristes e dramáticas.
[ postado em 20.08.2009 ]
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MARIA EMILIA TRADUTORA - SP
Incrível como o trabalho do tradutor é invariavelmente notado em todas as traduções. Certa vez, em um programa relacionado à moda, a apresentadora referiu-se a modelo assim: She looks like a hanger.Infelizmente o tradutor que responsável pela legenda colocou: Ela parece um hangar.Pelo contexto, era óbvio que a apresentadora estava comparando a modelo a um hanger(cabide) e não a um hangar (onde são estacionados aviões).
[ postado em 20.08.2009 ]
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GISELE CONTADORA - JUIZ DE FORA/MG
Apesar de não trabalhar com línguas, faço traduções por hobby. Concordo que a máquina tem muitas dificuldades em captar o sentido, a emoção e todo um contexto num texto. Porém, para pessoas leigas, que tem um pouco de noção de interpretação de textos e línguas, já é uma ajuda. Acredito que num futuro não tão distante esses tradutores estarão bem melhores.
[ postado em 20.08.2009 ]
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ROBERT FINNEGAN TRADUTOR - DILI, TIMOR-LESTE
Primeiro, perdoam meu pobre uso da língua portuguesa - não é minha língua materna e assim, talvez tenha os recursos nela de um bom programa de tradução. Vejo duas tendências convergentes que favoreçam a tradução automática: 1) o avanço tecnológico da informática, que vai melhorando, ao longo do tempo, a qualidade das traduções feitas por maquinas; e 2) o retrocesso no uso da língua pela maioria das pessoas - leiam revistas e jornais, cada vez mais on-line, e menos a literatura. Estas duas tendências fazem com que a qualidade de redação humana diminui e aproxima mais da maquina.
[ postado em 17.08.2009 ]
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KELI CRISTINA BRAZ LORO PROFESSORA PORTUGUÊS/INGLÊS - MAUÁ/SP
Não acredito que algum dia uma máquina será capaz de identificar sensações implícitas em um texto. Seria uma tradutor automático capaz de captar uma ironia, ou um comportamento incomum de determinada personagem, sugerindo uma mentira? Acho que não! Nesse caso, eu, como aspirante a tradutora, duvido que a inteligência artificial será capaz de compreender emoções humanas.
[ postado em 17.08.2009 ]
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GUTO LIRA TRADUTOR E PROFESSOR - SÃO PAULO/SP
Obviamente, não temos uma sincronia satisfatória entre o original e o traduzido, sendo que isso já é difícil com a atuação humana. Mas é muito complicado falarmos "nunca". Até alguns séculos atrás, "nunca" voaríamos, "nunca" curaríamos a lepra, "nunca" chegaríamos à Lua. Não é impossível que algum dia, com o desenvolvimento da inteligência artifical, possa-se criar uma máquina que identificará tais nuanças. Aí, então, pode ser que nosso trabalho fique obsoleto, ou que, ao menos, adquira novas facetas. Clichês são clichês, mas temos que admitir que jamais podemos dizer esse advérbio tão arrebatador que é o "nunca".
[ postado em 17.08.2009 ]
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SOLANGE PINHEIRO FORMADA EM LETRAS - SAO PAULO - SP
Quando ainda estava no colégio, um professor meu de física disse que não havia necessidade de estudar línguas, já que o computador corrigiria ou traduziria tudo. Eu, ainda sem ter optado pelo curso de Letras, discordei. Porque sabia que a máquina até poderia corrigir palavras escritas incorretamente, mas nunca seria capaz de criar um texto. As correções gramaticais feitas pelos corretores automáticos, são ridículas. E as traduções, patéticas.
Mas aqui, pelo que pude perceber lendo alguns comentários é que, quem é das áreas de tecnologias defende, claro, os tradutores automáticos. Mas quem é da área de comunicação sabe que eles NUNCA serão capazes de substituir o elemento homem na tradução. Simplesmente porque as línguas não são exatas. Elas são mais que instrumento de comunicação. Representam uma cultura, um povo, com suas particularidades, com seus modos de estar no mundo. E, além disto, as línguas mudam com o tempo. Não são estáticas.
Mas o pessoal das exatas dificilmente vai compreender isso, justamente porque são das exatas e as línguas não são exatas.
[ postado em 17.08.2009 ]
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CAROLINA TRADUTORA - SÃO PAULO
Pois é. Sou tradutora e a maioria dos tradutores não usa esse tipo de ferramenta, preferindo ferramentas de memória de tradução. Se o texto for bem simples vá lá, mas um texto mais intrincado exige tanta intervenção que o trabalho sai mais rápido se não usar. Mas para quem não é muito familiarizado com a língua estrangeira é ótimo.
[ postado em 17.08.2009 ]
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DORIVAL SANTOS SCALIANTE TRADUTOR TÉCNICO - CAMPINAS SP
Ao prezado colega MATTI V, com todo o devido respeito caso você não considere exatamente isso que está escrito (pois não fica claro se essa é ou não sua opinião), mas exatamente o que o cérebro (e não só o humano) NÃO É é uma máquina que funciona com zeros e uns. O funcionamento do cérebro efetivamente é tão complexo que ainda nem mesmo uma mínima parcela dele foi compreendida pelos maiores estudiosos do assunto, ao passo que o comportamento 0-1 das máquinas já é plenamente dominado e explorado até mesmo por um programador de 10 anos de idade. Vai demorar ainda muitas décadas até que haja sequer capacidade de armazenamento suficiente e poder de processamento razoável para que um texto seja apresentado em tradução mecânica em versão meramente compreensível (mas bela, nunca). Mas não ficará perfeito enquanto as máquinas não forem superiores ao poder humano de pensar, algo que jamais ocorrerá.
[ postado em 17.08.2009 ]
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V. CAMPOS ADMINISTRADOR - BAURU/SP
"a mais sofisticada "inteligência" artificial jamais identificará" Afirmação ousada e duvidosa. De poucos anos para cá, esses tradutores já tiveram grandes evoluções. Será que chegaram ao lmite????
[ postado em 17.08.2009 ]
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DORIVAL SANTOS SCALIANTE TRADUTOR TÉCNICO - CAMPINAS SP
Em relação ao comentário do colega Alexandre Moreira da Silva, gostaria de comentar que a notícia foi bem escolhida como exemplo, e gerou uma positiva avaliação. No entanto, concordo apenas com relação à questão de que, exclusivamente, notícias simples e com redação extremamente comum e objetiva (usando termos bem corriqueiros, no máximo) é que vão gerar uma tradução mecânica razoavelmente passável. No caso da tradução feita em seu exemplo, um simples artigo adicionado indevidamente [We are farmers / Nós somos "os" agricultores / aspas minhas] gerou diferença de sentido importante para uma notícia. Importante o suficiente para mudar o sentido de parte da informação, coisa que em jornalismo é algo a evitar. Ou não seria (bom) jornalismo. O fim do trecho também traz mudança importante ["e nós não podemos fazer uma coisa contra os Taliban"], onde "[to] do a thing" (que encerra a pseudo-expressão "a thing", a qual não quer dizer "uma coisa", mas, sim, "nada" ou, no máximo, um forçado "coisa alguma") ficou traduzido por uma expressão vaga e não vernácula no português, que pode induzir a um certo desnível de interpretação da parte do leitor não tradutor. Sou tradutor profissional e tenho, como todos os demais colegas de ofício, deparado-me com muito mais deslizes e inadequações em traduções mecânicas que justificariam a utilização de uma mente humana bem preparada para o trabalho da tradução em questão do que menciona a reportagem (e não só em traduções literárias ou poéticas). Tem havido muitas notícias, mesmo, sendo colocadas nos jornais atualmente e que passaram por tradução mecânica e uma leve "pincelada" do jornalista fazendo as vezes de tradutor e que carregaram bobagens, imprecisões e aberrações lingüísticas constrangedoras. Assim como no caso dos advogados, contrate sempre um tradutor. Vem a propósito lembrar que ninguém contrata programadores automatizados de computador, nem advogados eletrônicos, nem contabilistas automáticos. Não há sentido em investir tanto dinheiro para produzir a tradução automática. Melhor seria as empresas investirem na produtividade e na remuneração condizente com o dedicado trabalho artístico que é este o do tradutor humano competente e dedicado.
[ postado em 17.08.2009 ]
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CLAUDIO JANCZAK FUNCIONÁRIO PÚBLICO - BRASÍLIA, DF
Cabe lembrar as aberraçoes das traduçoes/dublagem dos filmes de TV, certamente traduzidos com estas ferramentas diabolicas.
[ postado em 17.08.2009 ]
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MARCO MACEDO ANALISTA DE SISTEMAS - SP
Eu não acredito que vocês usaram esse texto, confuso em português e com várias figuras da linguagem, para ser traduzido pelo Google Translator ou qualquer outro. Isso é justo. Eu estou satisfeito com o tradutor do Google e o Babylon. Quem escreveu essa matéria não entende muito de como o sistema funciona.
[ postado em 17.08.2009 ]
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FRANCISCO MANHÃES TRADUTOR - RIO DE JANEIRO
O tema é interessantíssimo, mas o autor o transformou numa torcida contra a "performance ilógica desses limitados recursos computacionais" em defesa do "inspirado, belo e sofrido trabalho humano, cuja lógica ultrapassa em muito o maquinal". Abordagens emocionais da questão não ajudam a entendê-la e a síndrome de Frankestein contra as máquinas também não tem utilidade fora dos filmes de Hollywood.
[ postado em 17.08.2009 ]
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ALEXANDRE ESTUDANTE - CAMPINAS/SP
Prezado Gabriel, como você mesmo deve ter já lido (se não o fez, vale a passada de olhos), Umberto Eco começa o livro "Quase a mesma coisa" comentando essa questão dos tradutores automáticos. Veja bem, são ferramentas, jamais poderão substituir o profissional. Daí muitas reflexões são possíveis, como a sua. Mas vale a experiência: vejamos, por exemplo, como o Google translator verte o início de seu texto dessa coluna para o inglês:
"It is better not to trust with your eyes closed (and much less with eyes open!) In translation tools, several of them online. Are insufficient and inaccurate, although in the last century, between the decades of 50 and 60, has spread the idea that the computer would result in a satisfactory manner the many different texts, illusion thirty years later discarded and replaced, today, by a modest and feasible objective: to create applications that help when starting, always waiting for the intervention and human creativity.
A good translation requires only the ability to identify human aspects and nuances phonetic, syntactic and semantic that more sophisticated "intelligence" artificial never identify, for the simple fact that intelligence is not intelligent, is not logic - the logic of the Greek term meaning Logos, involving language, reason, explanation and reasoning capacity."
[ postado em 17.08.2009 ]
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/CARLOS ARQUITETO - RIO DE JANEIRO-RJ
Ahmmm Agora entendi porque as legendas de filmes estrangeiros são tão alucinadas.
[ postado em 17.08.2009 ]
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ALEXANDRE MOREIRA DA SILVA WEBDESIGNER - CAMPOS DO JORDÃO
Vejam um exemplo de um trecho de notícia traduzida do site do NyTimes. Original: "We can't vote. Everybody knows it," said Hakmatullah, a farmer who, like many Afghans, has only one name. "We are farmers, and we cannot do a thing against the Taliban."
Traduzido: "Nós não podemos votar. Toda a gente sabe isso ", disse Hakmatullah, um agricultor que, como muitos afegãos, tem apenas um nome. "Nós somos os agricultores, e nós não podemos fazer uma coisa contra os Taliban."
Ao meu ver está ótimo... Praticamente, sem falhas..
[ postado em 17.08.2009 ]
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ALEXANDRE MOREIRA DA SILVA WEBDESIGNER - CAMPOS DO JORDÃO
É claro que o tradutor não vai conseguir traduzir quase nada com 100% de precisão. Mas colocar textos poéticos dificulta ainda mais... Em compensação se colocarmos uma notícia simples que acabou de ser publicada, em uma linguagem mais simples, ele se torna muito eficaz e chega traduzir com concordância mais de 95% do texto.
[ postado em 17.08.2009 ]
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DORACI KALVON LOPEZ PROFESSORA DE INGLÊS E TRADUTORA - CAMPINAS/ SP
Concordo com a afirmação " traduções virtuais podem gerar aberrações" e acrescento: "...podem levar a uma interpretação incorreta do texto", o que é pior do que não entender. Matti V, sinto decepcioná-lo mas sua profecia não se realizará. Em contato constante com pessoas e suas diferentes reflexões vi que há uma gama imensa de variáveis que influenciam pensamentos e expressão. Nunca uma máquina conseguirá conter todas as variáveis e controlar todas as suas possíveis combinações. Sua conclusão "No final, o nosso cérebro é APENAS UMA MÁQUINA que funciona com uns e zeros" revela um raciocínio embasado em ciências exatas. É simplista demais.
[ postado em 17.08.2009 ]
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BENJAMIM CASTRO APOSENTADO - RJ
O comentário de Matti é um texto com tradução automática sofrível. De qualquer forma, o recurso é, ainda, bem falho. Para uma leitura rápida de um texto em língua desconhecida, pode até servir, dando uma noção do assunto tratado, porém, se o leitor desconhece totalmente o idioma em que está escrito, fica difícil um entendimento total, eis que, as mais das vezes,dito tradutor não reconhece algumas palavras enquanto "traduz" outras com sentido diverso do empredado pelo escritor. Serve, portanto, como débil ajuda a quem não seja totalmente leigo no assunto e no idioma.
[ postado em 17.08.2009 ]
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CAIO CESAR MOREIRA ANALISTA DE SOFTWARE - SÃO PAULO
No texto é dito:
"Uma boa tradução requer a capacidade exclusivamente humana de identificar aspectos e nuances fonéticos, sintáticos e semânticos que a mais sofisticada "inteligência" artificial jamais identificará, pelo simples fato de que tal inteligência não é inteligente, não é lógica - lógica no sentido do termo grego lógos, envolvendo linguagem, razão, explicação e capacidade de argumentação."
Isto não é verdade. A inteligência lida com problemas de difícil compreensão e abstração - ou seja, que são difíceis de serem descritos matematicamente, buscando mimetizar o comportamento humano, eis sua grande distinção. Aqui, a lógica não é aplicada simplesmente como citado acima, já que uma rede neural é utilizada. As redes neurais (conexionistas) permitem que esta rede seja treinada a partir de exemplos para que passe a se comportar de uma forma que não pode ser descrita de forma precisa e de comportamento único. Portanto, a inteligência artificial pode sim ser a solução. O problema disto, é o treinamento da rede, que é extenso e complexo. Portanto, é errado dizer que jamais será possível obter um software para tal tarefa.
Atenciosamente, Caio C. Moreira.
[ postado em 17.08.2009 ]
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ASCANIO ROQUETTE TRADUTOR/EDITOR DO DICIONÁRIO AVRO DX - BELO HORIZONTE - MG
É evidente que a tecnologia tem sido usada para facilitar a vida de inúmeras pessoas, em vários segmentos e em diferentes níveis. Os tradutores eletrônicos, por exemplo, têm seu valor, pois representam o resultado de pesquisa e dedicação a determinado objetivo.
Porém, conforme salientado pelo nobre colega, Gabriel Perissé, traduzir não é, simplesmente, uma questão de sinonimizar, algo que os tradutores eletrônicos fazem. Traduzir significa transmitir a mesma idéia em um contexto linguístico diferente, por vezes, totalmente diferente, o que exige a reescrita do texto, respeitando nuances culturais, lexicais e estruturais de ambos os idiomas. E nesse respeito, não há nada que possa ser comparado, nem de longe, com a mente humana - capaz de perceber o espírito por trás da letra.
Para aqueles que só querem uma tradução "fast food", sem qualquer preocupação com precisão, conteúdo, substância e confiabilidade, os tradutores eletrônicos podem ajudar com termos e frases. Porém, jamais terão a capacidade de concatenar idéias, de transmitir o pensamento do autor, utilizando a cultura e a estruturação linguística do idioma-alvo.
Tradutores eletrônicos só conseguem ver a letra e a letra mata, mas o espírito vivifica.
Como identificar o espírito de uma expressão, a fim de transmitir a mesma idéia, o mesmo sentido da língua-fonte na língua-algo? Como traduzir para Inglês a expressão popular em Português "aquele cara é um mala sem alça"? Coloque isso em um tradutor eletrônico qualquer e você vai dar boas risadas, pois tudo não vai passar de uma brincadeira.
Mas, a mente do tradutor humano é capaz de "identificar" essa alma da linguagem e, portanto, não recorre a uma mera sinonímia ou a algum logorítimo de indexação.
Sem desmerecer a capacidade inventiva do homem (aos inventores dos tradutores eletrônicos, a devida honra), a mente humana ainda reinará soberanamente por muito e muito tempo.
[ postado em 17.08.2009 ]
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MATTI V WEB DESIGNER - MARINGÁ, PR
Não há novas informações a este texto. É óbvio que a tradução automática são (ainda) não tão bons como os seres humanos, mas certeza que eles são uma grande ajuda na compreensão de textos escritos em língua estrangeira. Com essas ferramentas, podemos, pelo menos, entender o contexto de um artigo escrito em uma língua que não sabemos nada sobre isso. Esta tecnologia está em sua fase inicial, e está se desenvolvendo tão rapidamente, é difícil dizer quanto tempo vai levar para eles para chegar a capacidade humana. No final, o nosso cérebro é apenas uma máquina que funciona com uns e zeros.
(Este texto foi criado pelo Google Tradutor do Inglês. E eu acho que entendi, embora ele não é correto)
[ postado em 29.07.2009 ]
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